Prefeito salva vida do roadie da Banda Tchê Guri

10/12/2013 19:47

Atendimento foi prestado no palco, diante do público

No exato momento que o Papai Noel chegava na praça para alegrar as crianças, uma tragédia foi evitada.

No palco do Natal Étnico, enquanto o apresentador fazia o suspense para a chagada do Papai Noel, o roadie da Banda Tchê Guri Anderson Vinícius era vítima de um choque elétrico. Ele ficou preso nas barras de ferro pelas duas mãos. Na primeira fila, estavam sentadas as autoridades e, pela fresta da cortina e caixas de som, a vice-prefeita Teodora Lütkemeyer avistou o corpo do homem estremecendo e imediatamente chamou a atenção do prefeito, o médico Antônio Vicente Piva.

O Dr. Piva correu escada acima e gritou para que fosse desliga a chave geral. Quando chegou perto o corpo do rapaz havia se soltado dos contatos e jazia desacordado. Em pleno palco reanimou a vítima que estava sem sinais vitais. A ação durou entre um e dois minutos. O Dr. Piva aplicou as técnicas de reanimação com insistência e força, restituindo a vida do rapaz de 32 anos. Reanimado, ele recusou-se a ser levado pela ambulância e disse que se sentia bem. Lembrava apenas do puxão muito forte que o deixou grudado nos cabos, da dor e de ter perdido os sentidos.

O público da praça, cerca de 4 mil pessoas, muitas delas crianças, emudeceu diante do que estava vendo. O momento de tensão, até ser anunciado que o rapaz estava bem, foi seguido de aplausos para o Dr. Piva.

O apresentador, Daniel, que narrou o episódio para o público, anunciou o fim do suspense:

- O Dr. Piva, o prefeito, salvou a vida do rapaz. Estamos diante de um herói!

Não fosse médico o prefeito, e não estivesse ele diante do palco, o episódio teria outro final.

A constatação também foi do próprio Anderson Vinícius que se manifestou no seu perfil no Facebook.

- É um milagre de Deus eu estar vivo. Não fosse o prefeito da cidade onde nos fomos tocar essa noite, eu não estaria mais aqui.

Ao relatar o ocorrido no Facebook Anderson Vinícius disse que esta poderia ter sido sua última foto

Anderson Vinícius, que trabalha como roadie da Banda Tchê Guri, relata então como aconteceu. O roadie é uma espécie de salva-vidas do músico. É aquele cara que passa quase despercebido, sempre pelos cantos, mas que para uma boa performance de palco é indispensável sua ajuda. É o último elemento da banda, sempre cobrindo a retaguarda do músico nas situações adversas em shows, e sempre realizando o trabalho mais árduo.

Ele estava arrumando as coisas no palco quando pegou nos ferros do som, sentiu o choque que o grudou e não soltou mais. “Olhei para o lado e tinha outro ferro igual, eu consegui pegar no outro ferro para tentar puxar o braço que tava tomando choque e infelizmente fechou um terra e fiquei grudado nos dois ferros, com uma descarga de choque muito grande. Fiquei sentindo muita dor. Meu corpo perdeu todos os sentidos de tanta dor, começou tudo escurecer, desmaiei e ai me soltou. Quando caí, todos vieram correndo ver,colocaram a mão no meu pescoço e uma pessoa chegou a dizer que eu estava morto. Mas como Deus existe, o prefeito da cidade era médico e chegou rapidamente, me dando soco no peito, já que eu estava sem pulso e sem respirar. Todos achavam que eu realmente tinha morrido,quando ele começou fazer massagem no meu peito e dar socos para tentar me reanimar. Foi então que acordei. Foi tão forte que chegou a estourar bolhas nas minhas mãos. Detalhe: o choque que eu tomei era terra, e não solta. Só Deus me soltou. Perdi os sentidos e fiquei sem pulso, daí não passa corrente. Ou seja: meu coração parou por alguns minutos.  …. Eu estava de aniversário, então, não fiz 32 anos, eu nasci de novo. Estou sem palavras para agradecer a todos do Tchê Guri, o que fizeram por mim, ao prefeito por ser um médico competentíssimo e saber o que fazer na hora certa. Obrigado Senhor por ter me devolvido a vida.

TEXTO E FOTO: HELAINE GNOATTO ZART/A FOLHA

 

Que voltagem máxima um ser humano suporta?

SUPERINTERESSANTE

Durante um choque, o que importa não é a voltagem – diferença de potencial elétrico entre um ponto e outro – e sim a amperagem, que é a intensidade da corrente elétrica. Por uma lâmpada de 100 watts passa, por exemplo, uma corrente de cerca de 900 miliampères (mA). Ao receber o choque, a pessoa funciona como uma ponte que transporta a corrente elétrica já que o corpo humano, formado em grande parte por água e sal, é um bom condutor de eletricidade. “O organismo é capaz de sentir uma corrente a partir de 1 miliampère”, explica o médico do trabalho Sérgio Alcântara Madeira, da Eletropaulo-Eletricidade de São Paulo. A partir daí até 9 miliampères ocorrerá um processo ligeiramente doloroso. De 9 a 20 miliampères, além da dor, a pessoa perde parte do controle muscular e não consegue largar o condutor. Acima disso, os problemas passam a ser mais graves, podendo causar a morte. Uma corrente de 75 miliampères produz a contração dos músculos do pulmão, provocando deficiência do sistema respiratório. Acima de 75 miliampères a descarga elétrica começa a interferir no coração, que também trabalha com mecanismo elétrico, provocando uma arritmia cardíaca. Mas esses números podem variar. As queimaduras acontecem porque o corpo funciona como a resistência do chuveiro, que transforma energia elétrica em calor. Pessoas com as mãos calejadas e secas são muito menos afetadas por um choque que uma com mãos finas e úmidas.

Valores aproximados da corrente e os danos que causam:

1 mA a 10 mA – apenas formigamento

10 mA a 20 mA – dor e forte formigamento

20 mA a 100 mA – convulsões e parada respiratória

100 mA a 200 mA – fibrilação

Acima de 200 mA – queimadura e parada cardíaca